Igreja Divino Salvador da Vila Olímpia - Padre Barone

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sábado, 17 de junho, 2008

Padre Zezinho na Vila Olimpia

Aos amigos e irmãos na fé da Paróquia do Divino Salvador da Vila Olímpia.

Uma palavra de irmão na fé, Padre Zezinho.

O mundo de hoje atravessa um desafio gigantesco e uma crise de proporções avassaladoras que é a crise do individualismo, um crasso individualismo onde as pessoas se colocam primeiro, elas, e em segundo as pessoas que as cercam, o seu grupo, a sua turma, o seu clube. Enfim, é o “nós” da família, o “nós” do grupo, o “nós” da tribo e nunca consegue chegar ao “nós” da humanidade. 
O mundo perdeu o senso de humanidade, o senso de universalidade e não há o respeito por outros povos, por outras religiões, por outras raças, por outras situações e pouco a pouco nós começamos a querer conformar o mundo ao nosso eu e aos que cercam o nosso eu. 

Pe. Barone e Pe. Zezinho
Com isso vamos ficando míopes e a pior crise que pode avassalar o ser humano é a miopia espiritual e intelectual, de não enxergar mais longe que o próprio nariz.
O Brasil atravessa esse momento. Partidos, grupos, igrejas, fechados em si e incapazes de um diálogo maior. Essa falta de diálogo maior está prejudicando e pode até destruir o país. A falta de um diálogo maior pode prejudicar a nossa igreja, pode prejudicar as igrejas e pode prejudicar as famílias. Nunca pode ser um diálogo fechado só de dois ou três.

Ou é um diálogo onde entram os carentes, os necessitados de boa vontade, as dores do outro por mais longe que eles estejam, ou não é cristão. O que é  abrangente, abertura a capacidade de ver a luz de Deus brilhando no outro, a capacidade de ver o outro amando a Deus e Deus amando o outro, a capacidade de aplaudir quem talvez até nem pense como nos, mas é iluminado por Deus e o que determina se nós somos catoulos católicos catoululos para todos ou se nós  somos seitas fechadas.

Por isso é que o mundo está em crise. Aos homens, em tribos fechadas, clãs fechadas, grupos fechados,  industrias fechadas, e o diálogo que é aparente, mas é cada dia mais interesseiro e cada dia menos generoso.

Oremos para que Deus suscite corações grandiosos capazes de amar quem não pensa como eles, capaz de pensar junto deles, mesmo que outro pense algumas coisas diferentes, capaz de ver que as vezes o que nos separa é tão pouco e o que nos une    seria tão pouco o mais, talvez noventa e cinco por cento, e as vezes capitalizamos o mal.

A Igreja precisa urgentemente de um banho de catolicidade de abertura para todos, com nenhum movimento se fechando em si mesmo, todos aplaudindo as conquistas do outro, e as graças de Deus no outro. Enfim precisamos ser iluminados e iluminadores, abençoados e abençoadores, perdoados e perdoadores. Precisamos aprender a ver a beleza da flor do nosso lado, nem que ela não se pareça conosco, mas está no mesmo canteiro e no mesmo jardim. Precisamos amar muito a nossa Mãe, mas também respeitar e amar a mãe do outro, mesmo que não queiramos ser filhos dela.

 

Contudo, precisamos admirar. Se a nossa Mãe é bonita, a do outro também pode ser. Saber elogiar o outro mesmo que dele discordemos de algumas coisas.

Enfim, um coração, capaz de menos criticas do que elogios e mais elogios do que de criticas. Vai ser preciso apontar também os dedos, nunca se esquecendo de quando tiver que elevar a voz para chamar a atenção de alguém. Elevar também a musica do coração.

Deus faça com que os pais se tornem exigentes, mas amorosos, capazes de chamar a atenção dos filhos, mas sempre com a música de fundo, da ternura. E capazes de se zangarem, se for preciso, mas amarem muito, por cima desta zanga.

É possível, e dá pra fazer. Isso é caminho de santidade. Que o Senhor nos torne brandos e exigentes, suaves e bastante exigentes, meigos, e muito exigentes, porque o Cristianismo sem exigência, ele se dilui, perde a força, perde a consistência.

Façamos direito o que temos que fazer, digamos o que deve ser dito, mas amemos do jeito que se deve amar.

 

                                                          Pe Zezinho.

 

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