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FRATERNIDADE E AMIZADE SOCIAL

“Na amizade nos ocupamos ao mesmo tempo da felicidade própria e alheia.”

Palavras do Padre

09.02.2024 - 20:28:00 | 2 minutos de leitura

FRATERNIDADE E AMIZADE SOCIAL

Desde 1964 a Igreja do Brasil promove durante a quaresma uma Campanha da Fraternidade. A quaresma é um tempo marcado pelo chamado à conversão: mudança de vida (mentalidade, sentimento, atitude), volta ao Senhor, adesão ao seu Evangelho. Essa conversão é tanto pessoal (conversão do coração), quanto social (transformação da sociedade). Para ajudar na vivência do espírito quaresmal, a Igreja convida a intensificar a prática da oração, do jejum e da caridade. E para que a caridade não se reduza a uma ação meramente assistencial, a Igreja do Brasil, retomando a doutrina social da Igreja, promove uma Campanha da Fraternidade que trata de algum problema grave da sociedade que exige mudança e que compromete todas pessoas e instituições.

 

Na Campanha da Fraternidade deste ano o tema é “Fraternidade e Amizade Social”, com o lema “Vós sois todos irmãos e irmãs” (Mt 23,8). A amizade entre os gregos sempre esteve em alta. Ora considerada como o maior dos bens, ora vista como condição indispensável a uma vida feliz, a amizade, mais do que uma experiência privada entre duas ou mais pessoas, pertencia a uma dimensão pública da vida. Nossa modernidade, que costuma tornar pública a esfera da intimidade, vem restringindo à dimensão privada atividades que sempre deram espessura à vida pública. Com a amizade se passa algo assim. Aristóteles falava de três formas de amizade, uma calcada no interesse, outra no prazer e uma terceira, que, de fato, indicava a experiência mais efetiva da amizade. Assentada no compartilhamento de valores que ultrapassam a dimensão particular, a amizade assim entendida banha-se  no caldo de ideias capazes de dar rosto e feição a uma cultura e mesmo a uma civilização. A utilidade e o prazer, outros reguladores da amizade, mesmo quando legítimos, são prisioneiros da particularidade e/ou circunscritos ao momento.

 

Não somos mais gregos, a história anda, mas não precisamos nos conformar ao empobrecimento contemporâneo da vida pública. Precisamos povoar a cena pública de ideias e de debates, despreocupados de certezas e desinteressados de soluções apressadas. Assim, quem sabe, nossas conversas possam ir além da informação acerca do que acabamos de comprar e nossos sentimentos com relação a quem pensa diversamente não se precipitem no ódio. Assim, talvez, a amizade possa se tornar, com as marcas próprias do nosso tempo, uma experiência pública. Para a nossa reflexão, contemplemos a filosofia de Immanuel Kant: “Na amizade nos ocupamos ao mesmo tempo da felicidade própria e alheia.” (Adaptação de texto de Ricardo Fenati)

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